4 de março de 2009

Antes que as pessoas se acostumassem com o metrossexual, surge o novo "homem do futuro": o übersexual

Roberta Salomone - VEJA

Desde que o sexo masculino deixou de ser encaixado como um todo na categoria de machão incurável e conquistou o direito de se emocionar e usar cosméticos, um batalhão de autores mundo afora dedica-se a definir o que seria "o novo homem". A mais recente e ambiciosa tentativa nessa direção é o livro The Future of Man (O Futuro do Homem), que será lançado no mês que vem nos Estados Unidos. Nele, um trio de publicitários – Marian Salzman, Amy O'Reilly e Ira Matathia – discorre sobre as mais do que exploradas diferenças biológicas entre homens e mulheres, fala pela enésima vez sobre as regras do jogo da sedução em tempos de internet e divaga sobre o que seria uma eventual "era feminina", quando "homens podem ser substituídos por brinquedos, por outras mulheres, abstinência e até vibradores". Como não poderia faltar em obra do gênero, o trio apresenta no livro um "novo" tipo de homem – o übersexual, rótulo com o qual batizam, publicitários que são, a versão mais avançada do já batido metrossexual. Avançada em termos: o übersexual é a ressurreição do exemplar do sexo masculino mais cobiçado pelas mulheres – o homem sensível, mas não muito, vaidoso, mas na medida certa, e inequivocamente heterossexual. "É a volta das características masculinas mais positivas, como força, decisão e imparcialidade, sem a insegurança comum aos dias de hoje", detalhou Marian a VEJA.

Além da apresentação do übersexual (do alemão über, "acima", "além de"), o livro de pouco mais do que 200 páginas, que ainda não tem data de lançamento no Brasil, lista outros rótulos menos cotados criados para caracterizar os tipos de homem dos novos tempos. São eles:

• novo machão: tem todas as características típicas do machão, mas não vê problemas em chorar na frente dos outros;
• metrogay: gay que tem traços masculinos;
• metro-hétero: heterossexual com atitudes gays;
• snag (neologismo formado a partir das iniciais de sensitive new-age guy): tem sensibilidade apurada e entende perfeitamente as mulheres;
• homem verdadeiro: aquele que reúne o melhor do homem atual, é participativo em casa, mas só faz o que quer e quando quer;
• emo (de emotivo) boy: extremamente sensível e vulnerável;
• new bloke: liberalíssimo, acha que homens e mulheres são absolutamente iguais.

Por enquanto, nenhum deles é tão conhecido quanto o metrossexual. O termo, que passou despercebido em artigo no jornal inglês The Independent há onze anos, foi retomado depois pelo jornal The New York Times e, de tão popular desde então, ganhou até nome e sobrenome: David Beckham. Bonito, casado e cobiçado, o jogador do Real Madrid é o metrossexual por excelência: não tem vergonha nenhuma de exibir o seu lado feminino (a ponto de pintar as unhas e tirar a sobrancelha, exageros a que poucos colegas se dão), sem que nada disso comprometa sua masculinidade. O übersexual é diferente – vaidoso, sim, mas nada que chegue perto de Beckham (há quem diga que ele disputa jóias, cremes e esmaltes com a mulher, a ex-spice girl Victoria Adams). Também não é do tipo que faz qualquer negócio pela aparência, como mudar freqüentemente a cor e o corte do cabelo e submeter-se a depilação. Tem estilo, é atraente, bem informado e não é consumidor voraz – faz as próprias compras, mas só quando forem necessárias. Resumindo: um homem com H maiúsculo.

Antes mesmo de o novo rótulo ser disseminado, o ator George Clooney já foi eleito o seu ícone. Atrás dele, o livro coloca na fila de candidatos o marido de Madonna, o cineasta Guy Ritchie, e – pasmem – o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que todo mundo achava que era metrossexual até a raiz dos tingidos cabelos. "São todos fortes, sedutores, sempre acompanhados de mulheres fortes e 100% homens", defende Marian. Dois outros termos estão devidamente associados a representantes famosos: os bonitinhos Orlando Bloom e Jude Law são típicos emo boys; Ewan McGregor e Hugh Grant, por sua vez, identificam-se com os new blokes. Dirigido a homens e mulheres, o livro, segundo seus autores, baseia-se em pesquisas e impressões pessoais para mostrar e debater o "homem do novo século", suas características, os problemas e as questões que o afligem. Alerta para as leitoras movidas pelo propósito de escolher o tipo que mais lhe agrada e depois tentar achar um de verdade para chamar de seu: nem todos os homens se encaixam nas categorias listadas. Um estudo citado no livro, por exemplo, conduzido por um psiquiatra chileno, afirma que latinos são extremamente machistas e costumam sofrer com a pressão para manifestar continuamente sua virilidade. "Por esses, não gaste nem metade de um dia em um spa", ensinam os autores.

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